Viu algo, Faça algo! – 7º sinal clínico: Secreção nasal ou ocular

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Correlacionando mais sinais clínicos às doenças que nossos pets podem ter, a campanha Viu Algo Faça Algo! traz mais duas alterações que são a secreção nasal e/ou ocular, que podem ser observadas juntas ou não, dependendo da doenças acometida.

Sempre tenha em mente que essas alterações são importantes, pois, pode ser desde algo simples como alergias como a quadros mais graves como infecções e processos neoplásicos (câncer).

Presença de secreções (corrimento) nasal ou ocular translúcida e incolor sem a presença de outros sinais clínicos normalmente não leva a uma preocupação pelo tutor. No entanto, dependendo da imunidade do pet, essa secreção pode se tornar opaca, e apresentando outras colorações (amarelada, purulenta) e até com presença de sangue, além de poder estar associado com outras alterações como febre, tosse ou espirros. Nesse momento é crucial levar seu animal para uma avaliação veterinária.

 

Principais causas de secreção nasal

  • Processos alérgicos: podendo ocorrer durante períodos específicos do ano, como a primavera ou no outono, indica alergia ao pólen.
  • Agentes infecciosos (bactérias/fungos/vírus/parasitos)
  • Gripe Canina/ Tosse dos canis (Traqueobronquite infecciosa canina)
  • Inalação de gases nocivos/tóxicos
  • Tumores nasais: podem ser causas obstrutivas, e estar acompanhado com secreção ocular
  • Corpo estranho: plantas, gravetos, pedra, restos de ossos podem ficar alojados nas cavidades nasais. Não tente removê-lo por conta própria, pois pode causar ferimentos ao nariz.
  • Doenças dentárias: periodontites podem causar abscessos espalhar para as cavidades nasais.
  • Desordem na deglutição ou no trato digestivo devido a alguma doença (ex. vômitos crônicos). Essas secreções podem ser forçadas a ir para área pós-nasal.
  • Complexo respiratório felino – a “gripe do gato”. É uma doença infecciosa, que abrange doenças provocadas por mais de um agente causador (herpesvírus felino tipo 1 e calicivírus), e também porque os sinais clínicos causados por cada um destes agentes se confundem.
  • Neoplasia (câncer): mais provável em cães de médio a grande porte, com focinhos longos.

 

Principais causas de secreção ocular

  • Processos alérgicos
  • Alterações oftálmicas: Uveítes, glaucomas, conjuntivites (bactérias/fungos/ vírus/parasitos), úlcera de córnea (Saiba mais aqui)
  • Otites graves que levam alterações em nervos
  • Entrópio (pálpebra virada para dentro) ou ectrópio (pálpebra se mantém virada para fora) causa lesões oculares significativas
  • Obstrução no canal nasolacrimal, impedindo assim que a lágrima seja drenada (tumores, corpo estranho), ou má formação anatômica, causando uma falha na drenagem.

 

Sinais clínicos relacionados a secreção nasal e/ou ocular

Preste atenção nas mudanças de comportamento, sinais de dor levam os animais a apresentar mais apáticos, arredios ou até mais agressivos.

  • Redução do fluxo de ar nasal
  • Problemas dentários, úlceras orais/gengivite
  • Inchaço da face ou palato duro (tumor ou abscesso)
  • Focinho seco
  • Febre
  • Espirros
  • Tosse
  • Salivação
  • Perda de apetite
  • Secreção acastanhada nos olhos. É chamado de epífora, e bastante comum em animais de pelagem branca (poodle, boxer, persa).  Ocorre uma alteração do ducto nasolacrimal, extravasamento de lágrimas, deixando área bastante úmida, sofrendo oxidação e deixando aquela região acastanhada.
  • Olhos inflamados, Irritação nos olhos (vermelhidão)
  • Alteração na cor dos olhos
  • Coça os olhos com as patas com frequência

 

O diagnóstico é importante que seja feito por um Médico Veterinário.

Dependendo da causa pode ser de fácil diagnóstico, caso contrário só com um exame minucioso. Muito importante a realização de uma anamnese e o exame clínico, direcionando os exames específicos para ajudar a fechar o diagnóstico e iniciar o tratamento. Podem ser solicitados os seguintes exames:

  • Exames laboratoriais
  • Exames de imagem: Radiografia, ultrassonografia, Rinoscopia/broncoscopia
  • Cultura microbiológica (bactérias e fungos)
  • Biópsia (para os casos de tumores)
  • Exames oftálmicos específicos (fundoscopia, teste de Schirmer, pressão ocular, colírios reagentes)

 

É importante ressaltar que os animais devem ser sempre tratados pelo veterinário.

O tratamento se baseia em combater os sinais clínicos e evitar as infecções secundárias, sendo necessário a utilização de antibióticos, mucolíticos, inalação, colírios. A partir do diagnóstico pode haver possibilidade de intervenções cirúrgicas (retirada de tumores, tratamento para entrópio/ectrópio, entre outros)

Muitas vezes o tutor querer medicar o animal em casa e não sabe que muitos remédios usados em humanos podem não ser os mais adequados, e acabam piorando o quadro dos animais.

 

Prevenção

  • Vacinas anuais que deve ser orientada e aplicada pelo médico veterinário
  • Visitas frequentes ao veterinário, realizações de check ups, principalmente animais acima dos 5 anos de idade (em média)
  • Banhos e tosas com frequência: algumas raças tem muito pelo ao redor dos olhos e podem causar lesões oftálmicas. Após o banho, secar bem.

 

Não existe nenhum método para deixar o seu pet livre de qualquer doença respiratória ou oftálmica.  Podemos minimizar os riscos de infecção mantendo o pet sempre bem cuidado e no sinal de qualquer mudança de comportamento e sinal clínico, procurar o Médico Veterinário.

 

Paula Boeira Bassi
Médica Veterinária
CRMV/RS 13320

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