Papo com Vet: doença renal nos pets

A Doença Renal Crônica (DRC) é caracterizada pela falha no funcionamento dos rins. É muito importante que os tutores de cães e gatos saibam mais sobre a doença renal nos pets, já que atinge um grande número de animais.

O médico veterinário responsável pela especialidade de Nefrologia na Pet Center Canoas é o Dr. Alexandre Brum. Um grande profissional, que com seu conhecimento e profissionalismo diagnostica e trata os pacientes com DRC, muitas vezes retardando a progressão da doença e proporcionando mais qualidade de vida aos animais.

Para esclarecer dúvidas a respeito doença renal nos pets, realizamos um bate-papo sobre este importante tema. Saiba mais sobre o assunto nesta matéria especial.

O que seria a doença renal crônica e como ela se manifesta?

Esta não é uma doença propriamente dita e sim uma condição do rim. São várias doenças que levam a uma condição progressiva e irreversível. Durante alguns meses ou anos, o rim é afetado por algumas patologias que vão culminar ao que chamamos de doença renal crônica.

Como é feito o diagnóstico?

Como a doença renal crônica é silenciosa no início, por meses ou até anos, é preciso ficar atento a sinais muito sutis. O primeiro sinal seria o aumento da produção urinária e da ingestão de água. Perda de peso e vômitos esporádicos também são alguns dos sinais precoces que costumamos ver. Outro ponto seria um avanço muito rápido da doença periodontal. Se você tratou e em menos de 1 ano já é preciso repetir o tratamento é possível que o seu pet esteja com doença renal crônica.

Existe classificações da doença renal crônica?

Eu divido a doença renal crônica em seis grandes grupos e dentro dessas divisões a gente vai buscar o diagnóstico mais adequado. A doença renal nos pets pode ter origem infecciosa, pielonefrites, nefropatia de refluxo. Temos também as glomerulopatias, as doenças da parte que filtra o sangue, que têm a característica de perder muita proteína na urina, as glomerulonefrites, amiloidoses glomerulares, as doenças túbulo intersticiais que é mais comum nos felinos idosos. Tem as neoplásicas, que também os gatos serão os que desenvolvem mais a falência renal em virtude de câncer. Tem as doenças obstrutivas em que os gatos também são os mais acometidos e, por fim, as doenças congênitas. São esses os grandes seis grupos.

Anteriormente, foi falado a respeito do câncer. É comum o câncer renal?

Quando falamos em câncer, temos que especificar o canino e o felino. No cão, as neoplasias costumam ser unilaterais, ou seja, quando um só rim é acometido. O outro rim, saudável, acaba assumindo a função renal e, assim, o animal acaba não sendo comprometido. Ele terá a qualidade de vida diminuída em função do câncer, da dor, mas não por causa da função renal. Já nos gatos, o tipo de câncer mais comum é um tumor infiltrativo, que costuma ser bilateral, de desenvolvimento mais rápido. Os gatos costumam ter uma diminuição da função renal, um quadro clínico muito mais grave, relacionado a uma falência renal.

E as classificações das neoplasias renais costumam ser quais?

O adenocarcinoma renal é mais comum nos cães. E, nos gatos, é mais comum o linfoma. É claro que existem casos que aparecem totalmente fora do esperado, como o nefroblastoma, os carcinomas de transição em pelve renal. Mas, de uma forma geral, nos cães temos os carcinomas, na grande maioria das vezes unilaterais, e muitas vezes o diagnóstico é acidental. Os gatos, normalmente, já vêm com alterações sistêmicas muito mais graves.

A questão alimentar tem papel importante na doença renal crônica?

Esse é um assunto bastante controverso. Sobre os gatos, é importante salientar que seus ancestrais obtinham água apenas do teor hídrico das suas presas, no Egito antigo, no Oriente Médio. Quando a gente trouxe eles pra dentro de nossas casas, depois de 10 mil anos, a gente não oferece o mesmo teor de umidade na alimentação que deveria ter. Dez mil anos, na evolução de uma espécie, não é nada, pois metabolicamente eles ainda não conseguiram se adaptar a isso. Então, existem correntes que acreditam que a falta de hidratação na alimentação favoreça uma desidratação subclínica importante no paciente. O que eu indico: acostume o gato, desde cedo, com uma alimentação umedecida. Aqui no Brasil, a gente interpreta a alimentação umedecida como um prêmio, mas ela deveria fazer parte da alimentação rotineira dos nossos pacientes. Com certeza nós teríamos ganhos na saúde dos nossos pacientes.

Quais os alimentos que podem causar problemas renais nos pets?

A uva e as passas de uvas podem gerar falência renal em 60% dos cães. Dois gramas por quilo já seria o suficiente para que o pet desenvolvesse o quadro. Para os felinos, temos o lírio, que contém propriedades tóxicas. Outras plantas que contém excesso de oxalato, como a carambola, podem gerar falência renal no paciente.

Qual a idade em que devemos começar a fazer avaliações da função renal dos pets?

Se o seu pet vive em uma região endêmica para doença renal, não precisa esperar ele ter uma certa idade para começar a fazer acompanhamento médico. Para os gatos, a partir dos 10, 12 anos de idade começa a aumentar a incidência de doença renal. Mas, já tem alguns gatos bem mais jovens que já começaram a manifestar. Nos cães, idade para começar a avaliar a doença renal seria a partir dos sete anos. Contudo, algumas raças indicam uma avaliação anterior.

Sobre os gatos, quando eles começam a urinar fora das caixas de areia, pode ser um sintoma de doença renal crônica?

Pode. Mas, quando um gato começa a urinar fora dos locais adequados, devemos pensar em três coisas: ele pode ser um gato macho dominante querendo marcar seu território; os animais que fazem xixis em pequena quantidade e parecem ter dor podem ter infecção na bexiga e não doença renal; e tem também os casos de incontinência de urgência, quando além de fazer fora do local, fazem em grande quantidade.

Qual a prevenção e o tratamento para a doença renal nos pets?

Para manter a saúde renal do pet é preciso manter sempre hidratado. Oferecer sempre que possível uma alimentação umedecida. Para os felinos, descubra qual a forma de preferência dele para consumir água. Outro ponto é: nunca dê uma medicação para o animal sem o conhecimento de um médico veterinário. Isso acaba predispondo o animal a doenças renais. Para qualquer procedimento cirúrgico, eletivo ou não, o bichinho deve sempre bem avaliado anteriormente. Esse cuidado evita que no futuro ele possa ter problemas renais em decorrência da anestesia.

A hemodiálise também é usada em pequenos animais como tratamento?

A hemodiálise tem algumas limitações na medicina veterinária. Uma delas é o peso dos pacientes. A gente precisa ter um peso mínimo de 4 ou 5 quilos, dependendo da máquina. Pacientes menores muitas vezes não conseguem, principalmente felinos e cães de menor porte. Outra limitação seria a manutenção de um cateter permanente para estes pacientes. Se em uma pessoa já é difícil, em um cão o risco é muito maior de que aconteça algum acidente com o cateter venoso central. A hemodiálise acaba tendo uma indicação mais específica para os quadros mais agudos ou para os pacientes crônicos que estão sofrendo algum quadro de agudização. Colocamos esses pacientes da hemodiálise para que este paciente volte ao grau de doença em que ele estava anteriormente e prosseguimos com a terapia conservativa.

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